Um Yuan mais flexível? PDF Print E-mail
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Julho é sem dúvida, o mês em que as autoridades chinesas se dedicam a tomar decisões acerca da sua política cambial.

Parece provado que a situação do mês no calendário chinês, poderá dar segurança e ser auspicioso na tomada de decisões que implicaram alterações no valor do yuan. Em Julho de 2005, o Banco Popular da China (BPC) decidiu iniciar uma política cambial mais flexível; em Julho de 2008 pôs fim a esse processo que permitiu a apreciação gradual da moeda; praticamente em Julho de 2010 foi anunciada a intenção de terminar com a rigidez do valor do yuan, nomeadamente em relação ao dólar.

De facto, após 2 anos em que o USD/CNY se manteve  praticamente inalterado à volta do nível 6.83, a China deu indicação que vai permitir uma maior flexibilidade da sua moeda, não havendo contudo detalhes sobre a nova política cambial. O anúncio foi efectuado no âmbito da  última reunião do G-20 realizada em Toronto, no Canadá. Recorde-se que o G-20 representa o grupo das 20 nações economicamente mais importantes e influentes do mundo, representando 85% da economia mundial e cerca  de 2/3 da população global. Criado em Novembro de 2008, o grupo das vinte nações mais ricas assumiu um papel preponderante na tentativa de reformar o sistema financeiro internacional, assim como no relançamento  económico. Já são antigas as pressões dos principais parceiros comerciais da China, liderados pelos EUA, para que termine a situação de subavaliação artificial da moeda chinesa.

Com efeito, o yuan fixo é considerado responsável  pela manutenção e agravamento de alguns dos desequilíbrios económico-financeiros mundiais, permitindo que a China acumule enormes excedentes. Para já sabe-se que há a intenção de reformar a política cambial chinesa,  tornando o câmbio do yuan mais flexível. Mas não se conhece mais nada, para além das intenções. Desde há muito que as autoridades estabelecem a relação do yuan com um cabaz de moedas, e não somente face ao dólar,  devendo os ajustamentos ser muito graduais (crawling peg), sem grande volatilidade, há semelhança do que ocorreu entre Julho de 2005 e Julho de 2008. Após o anúncio, o USD/CNY caiu cerca de 0.5%, de 6.83 para 6.79,  mas não houve para já mais desenvolvimentos. No mercado cambial, as repercussões fizeram-se sentir de imediato, com o dólar a perder terreno para as moedas rivais. Nos mercados financeiros, a maioria das Bolsas reagiu  positivamente, e os preços das principais commodities subiram. A visão de um maior poder aquisitivo por parte da China agradou e, para o sentimento geral, uma menor tensão entre os EUA e a China não deixa de ser positivo.  Acrescente-se ainda que o presente movimento de apreciação global do dólar, que poderá continuar quando a Fed começar a subir os juros, faz diminuir a pressão de apreciação exigida ao yuan, mesmo que se considere que a  moeda chinesa esteja subavaliada em mais de 20%. Apesar do risco poder ser de um certo constrangimento económico, esta medida é admitida no actual momento em que está prevista uma expansão económica da China  acima dos dois dígitos.

É importante mencionar que não foi anunciado uma apreciação em larga escala do yuan, não se esperando uma valorização rápida. Assim, num contexto de uma evolução muito controlada e gradual do  valor da moeda, o reflexo nos preços das exportações deverá ser mínimo, tal como o impacto global no comércio regional e nos fluxos de capitais. Esta medida também é vista com importância no combate às actuais pressões  inflacionistas (mesmo que o efeito seja mais psicológico), conjuntamente com a actual política monetária menos expansionista. Acima de tudo, e no actual contexto de desconfiança e incerteza, este pequeno passo vindo da  China pode ajudar a abrandar a aversão  ao risco dos investidores que, nos últimos tempos, não têm tido muita tranquilidade.

BPI ESTUDOS ECONÓMICOS E FINANCEIROS

Agostinho Leal Alves

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